Quando as luzes do Bumbódromo ainda estão apagadas, outra tradição toma conta das ruas de Parintins e emociona gerações de torcedores do Boi Garantido.
Na noite de sexta-feira (13), a Ladainha de Santo Antônio voltou a reunir moradores, famílias e brincantes em um cortejo marcado por fé, memória e identidade cultural. A celebração, realizada anualmente no Dia dos Namorados, preserva uma promessa que acompanha o Boi do Povão desde 1943.
O percurso começou no Quilombo da Baixa, berço do Garantido, onde cânticos, orações e velas acesas transformaram as ruas em um cenário de devoção que atravessa mais de oito décadas de história.

Rosas que carregam histórias
Um dos momentos mais esperados da caminhada é a tradicional entrega de rosas.
Durante o cortejo, integrantes do Garantido visitam residências e presenteiam casais e mulheres, espalhando mensagens de carinho, respeito e afeto. O gesto se tornou um dos símbolos mais marcantes da manifestação e reforça a valorização do amor, da união e da convivência comunitária.
Mais do que um ritual religioso, a Ladainha mantém viva uma tradição que une cultura popular e sentimento de pertencimento.
Uma promessa que atravessa gerações
Para o presidente do Boi Garantido, Fred Goes, a manifestação representa a essência da história encarnada.
“A Ladainha de Santo Antônio é o Garantido de verdade, de raiz. É a promessa do nosso fundador Lindolfo ganhando as ruas, é o povo rezando junto, é a fé que sustenta nosso Boi há mais de 80 anos.”
A emoção também tomou conta de Maria do Carmo Monteverde, filha do fundador Lindolfo Monteverde, que relembrou as primeiras edições da celebração.
Segundo ela, a devoção aos santos juninos nasceu dentro da própria família e foi transformada em um patrimônio afetivo da cidade.
“Em 1943, com apenas seis anos, vi o Garantido começar a sair pelas ruas cumprindo essa promessa que virou uma linda tradição.”

A cultura que vive fora da arena
Enquanto milhares de pessoas aguardam o Festival de Parintins, a Ladainha de Santo Antônio lembra que a história do Garantido também é construída nas ruas, nas famílias e nas manifestações populares que resistem ao tempo.
É um momento em que fé, cultura e memória caminham juntas, fortalecendo uma tradição que continua unindo gerações e reafirmando as raízes do Boi do Povão muito antes do espetáculo começar no Bumbódromo.
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