Enquanto os bois Caprichoso e Garantido aceleram os preparativos para o Festival de Parintins 2026, outra transformação toma conta das ruas da cidade. Muros, fachadas e espaços urbanos ganham novas cores por meio do projeto Parintins Galeria Cidade Aberta, iniciativa promovida pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.
A quinta edição do projeto entra na fase final com a conclusão dos 15 novos murais previstos para este ano. Com isso, Parintins alcança a marca de 60 obras espalhadas por diferentes pontos do município, consolidando-se como uma das maiores galerias de arte urbana a céu aberto da região Norte.
Após a entrega dos novos painéis, será iniciada uma etapa de manutenção e revitalização dos outros 45 murais já existentes, preservando um patrimônio artístico que passou a integrar a identidade visual da cidade.

Um dos destaques da edição de 2026 é a homenagem ao artista parintinense Evanil Maciel, de 72 anos, considerado um dos pioneiros da pintura mural em Parintins.
Referência para diversas gerações de artistas, Evanil também será homenageado na capa da quinta edição do Roteiro das Artes, publicação que apresenta ao público os percursos artísticos espalhados pela cidade.

Entre os artistas que participam desta edição está o parintinense Glaucivan Silva, responsável por murais que utilizam a arte urbana para promover inclusão e conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
As obras desenvolvidas pelo artista transformam espaços públicos em painéis que valorizam a neurodiversidade e incentivam o respeito às pessoas autistas. Com cores vibrantes e mensagens de acolhimento, os murais reforçam que a inclusão também pode ser construída por meio da arte.
O trabalho contou ainda com a participação e apreciação de usuários de centros especializados, permitindo que pessoas da comunidade atípica também se reconheçam e se expressem através das intervenções artísticas.

Outro destaque do circuito é o mural "Matriarcas da Floresta: Cultura Viva da Amazônia", assinado pelo artista Pito Silva a partir do olhar fotográfico da fotógrafa indígena Tayná Sateré.
A obra celebra a força, a sabedoria e o protagonismo das mulheres amazônidas, inspirando-se na cosmologia do povo Huni Kuin e na figura de Yube, a grande jiboia sagrada presente nas narrativas ancestrais da floresta.
O mural apresenta as mulheres como guardiãs dos saberes tradicionais e da conexão entre natureza, espiritualidade e cultura, transformando elementos da ancestralidade amazônica em arte urbana.
Desde sua criação, o projeto já ultrapassou 9 mil metros quadrados de áreas pintadas e gerou oportunidades para mais de 400 artistas, produtores culturais e trabalhadores da economia criativa.
Além do impacto visual, a iniciativa promove reflexões sobre pertencimento, memória coletiva, identidade amazônica e valorização cultural, transformando espaços urbanos em ambientes de convivência e expressão artística.
A edição de 2026 também marca a participação inédita da artista visual paulista Mag Magrela, responsável pelo mural "Ilha Encantada".
A presença da artista amplia o intercâmbio cultural promovido pelo projeto e fortalece o diálogo entre diferentes linguagens da arte urbana brasileira.
Às vésperas do Festival de Parintins, os murais ajudam a contar histórias, preservar memórias e transformar a cidade em uma verdadeira galeria a céu aberto, onde a cultura amazônica ocupa as paredes e dialoga diariamente com moradores e visitantes.
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